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CBD (Canabidiol) para autismo: Tudo o que Você Precisa Saber

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é o nome que se dá a uma forma de neurodesenvolvimento atípico, caracterizado pela manifestação precoce de dificuldades de comunicação e interação social e pela presença de comportamentos e/ou interesses repetitivos ou restritos. Esses são os sintomas nucleares do transtorno, mas a forma e gravidade de sua apresentação são variáveis. Trata-se de um transtorno pervasivo e permanente, não havendo cura, ainda que a intervenção multidisciplinar precoce focada em hiperestimulação (comportamental e educacional) possa alterar o prognóstico, melhorando a funcionalidade e qualidade de vida do paciente.

O tratamento farmacológico possui indicação formal apenas para quadros de importante irritabilidade ou agressividade, onde o paciente coloca a si ou terceiros em risco. Também pode ser indicado no tratamento de condições comórbidas, sendo os distúrbios do sono e o déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) as mais comuns.

O medicamento a base de Canabidiol para atuar contra o autismo já teve a sua eficácia comprovada – em comparação com os tratamentos convencionais, que representam um desafio por falta de opções terapêuticas eficazes – embora seja de desconhecimento por parte da maioria da população brasileira, embora há muito tempo vem se tornado cada vez mais popular na América do Norte, Europa e Ásia, continentes que, inclusive, o medicamento a base de Canabidiol (CBD) que proporcionamos aos pacientes, são reconhecidos e popularizados.

Principais tópicos que abordaremos nesse artigo:

  • Benefícios do tratamento com Canabidiol (CBD);
  • Estudo da Elsevier sobre o Tratamento a base de Canabidiol (CBD);
  • Estudo da revista Nature sobre o Tratamento a base de Canabidiol (CBD);
  • O medicamento com Canabidiol (CBD) tem efeitos colaterais para autistas?

Benefícios do Tratamento com Canabidiol (CBD) para o autismo
O uso de canabinóides – especialmente o canabidiol (CBD) – tem sido cada vez mais frequente no tratamento de crianças com epilepsia refratária aos tratamentos
convencionais e outras patologias, inclusive no Brasil. Depois de diversos relatos sobre o uso de cannabis medicinal na diminuição, por exemplo, de ansiedade, irritabilidade, insônia e agressividade, pais de crianças com autismo começaram a enxergar o uso de canabinóides como uma alternativa para aliviar tais sintomas em seus filhos.

Desde então, vêm se acumulando ao redor do mundo muitos relatos de casos evidenciando melhora substancial do comportamento, funcionalidade e qualidade de vida em pacientes com TEA após iniciar tratamento com cannabis medicinal. Além de curiosidade sobre a possibilidade desse uso influenciar também na melhora dos sintomas centrais da doença.

Alguns benefícios que foram percebidos durante o uso de medicamentos Canabinóides (CBD) para pacientes com Autismo (TEA), de acordo com um estudo feito em janeiro de 2019. Com foco nos Canabinóides para tratamento contra os sintomas do autismo e comorbidades, o estudo juntou 53 crianças e adultos de 4 a 22 anos para uma análise, e durante 66 dias eles foram tratados com o canabinóide, resultando nas seguintes melhoras:

  • Os ataques de automutilação e raiva melhoraram em 67,6% ;
  • Os sintomas de hiperatividade melhoraram em 68,4%;
  • Os sintomas de problemas de sono melhoraram em 71,4%;
  • A ansiedade melhorou em 47,1%.

Mas houveram dados que demonstraram nenhuma melhora ou piora nos pacientes:

  • Os ataques de automutilação e raiva pioraram em 8,8%;
  • Os sintomas de hiperatividade não mudaram em 28,9% e pioraram em 2,6%;
  • Os sintomas de problemas de sono pioraram em 4,7%;
  • A ansiedade piorou em 23,5%.

Embora muitos portadores de autismo já estejam sendo tratados com preparados à base de CBD, há ainda grande desconhecimento acerca das evidências científicas e análises de perfil de segurança, tolerabilidade e eficácia para o uso em pacientes com TEA. Ainda assim, a porcentagem de eficácia superou o número de dados que demonstraram nenhuma melhora ou piora nos pacientes, resultado de evoluções e inovações medicinais que vem tendo um alto grau de importância e foco desde 2019.

Estudo da Elsevier sobre o Tratamento a base de Canabidiol (CBD)
Recente estudo de Poleg et al, intitulado “Canabidiol como um candidato sugerido para o tratamento do Transtorno do Espectro do Autismo”, foi veiculado pela Elsevier. O artigo avaliou estudos pré-clínicos e clínicos em busca de achados sobre o envolvimento do sistema endocanabinóide em neurodesenvolvimento e desordens físicas e mentais, bem como sobre segurança e eficácia do uso de CBD no tratamento de comportamentos e comorbidades mais comuns do portador de TEA. O trabalho concluiu que os déficits de interação social fazem parte dos principais fenótipos do TEA, e que o CBD tem demonstrado algumas propriedades pró-sociais em estudos pré-clínicos.

Além disso, demonstrou que é possível que o canabidiol possa ser eficaz como
monoterapia ou tratamento adjuvante em algumas das comorbidades mais comuns do portador de autismo, como distúrbios do sono, TDAH, ansiedade e convulsões, como mostrado no resultado do estudo feito em 2019. O nível de evidência ainda é muito baixo com relação aos efeitos em outras comorbidades, tais como psicose, comportamento aditivo, distúrbios cognitivos ou do humor e agressividade, mas isso depende diretamente do nível de aborsorsão do medicamento. Por exemplo, o CBD hidrossolúvel é aborvido em 10 X pelo nosso organismo em comparação com o Óleo CBD, que tem uma baixa porcentagem de absorção.

O estudo ainda conclui que há certamente uma grande lacuna sobre o tema e muitos outros estudos são necessários antes de se afirmar quaisquer conclusões sobre o potencial terapêutico do uso dos canabinóides em pacientes com TEA.

Estudo da revista Nature sobre o Tratamento a base de Canabidiol (CBD)
A conceituada revista científica Nature (cujo fator de impacto é
altamente relevante) divulgou o artigo “Experiência da vida real no tratamento do autismo com cannabis medicinal: análise da segurança e eficácia”.

Neste estudo foram coletados e analisados dados de 188 pacientes com TEA tratados com cannabis medicinal entre os anos de 2015 e 2017 – o grupo tinha média de idade de 12,9 anos e alguns pacientes apresentavam comorbidades associadas, sendo epilepsia (14,4%) e TDAH (3,7%) as mais prevalentes.

A coleta dos resultados

Na maioria dos pacientes, o tratamento foi baseado no uso de óleo de cannabis contendo 30% de CBD e 1,5% de THC (proporção de 20 CBD para 1 THC). A coleta foi realizada em três momentos distintos (antes do início do tratamento, um mês após o início e seis meses após o início).

Concluiu-se que, depois de seis meses de tratamento:

  • 30,1% dos pacientes relataram melhora significativa dos sintomas;
  • 53,7% relataram resposta moderada;
  • 6,4% relataram melhora discreta;
  • 8,6% não relataram melhora alguma.

Ademais, foi relatado melhora ou desaparecimento de sintomas em 75% dos pacientes ou mais, como:

  • Inquietação;
  • ataques de raiva;
  • agitação;
  • problemas no sono;
  • ansiedade;
  • constipação;
  • e problemas na digestão.

Em contrapartida, a mesma eficácia não foi observada na melhora ou desaparecimento de distúrbios da fala, déficits cognitivos, incontinência, mobilidade limitada, apetite aumentado e falta de apetite.

Foi descoberto que a CBD modula as mensagens das células nervosas em regiões do cérebro regulando a ansiedade, a função executiva e o comportamento, bloqueando os sinais para os principais receptores neuronais que, quando superestimulados, podem desencadear convulsões.

De acordo com a MD, Professora Distinta de Neurociências e Pediatria da Faculdade de Medicina da UC San Diego e neurologista pediátrica do Rady Children’s Hospital-San Diego com especial experiência em deficiências de desenvolvimento neurológico, Doris Trauner: a CBD pode ter potencial para muitas deficiências neurológicas, mas há um interesse particular pelo autismo, pois os problemas comportamentais podem ser graves e limitar a capacidade da criança de aprender e socializar.

O medicamento com Canabidiol (CBD) tem efeitos colaterais para autistas?
Efeitos colaterais são quase inevitáveis na maioria dos medicamentos, principalmente aqueles convencionais, que geram lergia, insônia, náusea, suor excessivo, tremor, falta de apetite, diarreia, sonolência, fadiga, boca seca, ansiedade, entre outros. Com o CBD, os efeitos colaterais são minimizados, embora não completamente dizimados como se esperaria.

No estudo feito pela revista nature, os efeitos colaterais foram observados por 25,2% dos pacientes que fizeram uso do Canabidiol (CBD) como um tratamento para Autismo, sendo a inquietação (6,6%) o mais comum.